segunda-feira, 18 de julho de 2016

O UBER E SEUS PROBLEMAS

No final de junho de 2016 fui vítima de uma trapaça no aplicativo de transporte UBER, na SQN 213, em Brasília. Fiquei com a convicção de por muito pouco haver escapado de um assalto. Passados alguns dias, relatando para amigos e pesquisando nas redes descobri que não fui o único. Houve casos semelhantes, com vítimas, na própria cidade de Brasília, em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em Nova Deli, na Índia.

Trata-se de uma situação inusitada e perigosa. No Brasil, como sempre, a situação do aplicativo tem características muito próprias: está sendo desmoralizado pelos taxistas. Como não conseguem vencer o aplicativo na prestação de serviços e preços (chegando a custar mais que o dobro) os taxistas estão desmoralizando o UBER e causando prejuízos e riscos aos passageiros. O caso é grave. Em Nova Deli foi um estupro. Não houve interceptação da chamada.a passageira processa o UBER em sua sede na Califórnia. O motorista,um tal de Shiv Kumer Yadav, segundo o jornal Times of Índia, está preso e é acusado pela polícia local de haver estuprado outras mulheres. Em Belo horizonte há o relato da atriz e cantora Lívia Montovani em uma rede social que comprova a interceptação de chamadas telefônicas também na capital mineira.

Os taxistas brasileiros, especialmente os brasilienses, desenvolveram um sistema por onde interceptam as chamadas para o UBER. No meu caso, numa noite chamei o aplicativo por três vezes. Em todas as chamadas foram para um endereço errado. O UBER cobra uma taxa de sete reais se o passageiro desiste da chamada ou não encontrar o passageiro. Nunca chegaram a mim tais cobranças. Somente numa quarta chamada, após um telefonema, consegui o transporte.

No dia seguinte chamei de novo: com um atraso de meia hora para minha surpresa chegou um táxi. Ele me identificou pelo nome. Respondi que não havia chamado um táxi e sim um UBER. Rápido na resposta me contou que seu carro havia batido dias atrás e que ele já havia comunicado ao UBER e daquela semana em diante o táxi estava habilitado pelo próprio aplicativo. Como eu estava acompanhando a votação da Lei distrital que visa regular o aplicativo na capital federal sabia que aquela história não era verdadeira. Atrasado para meu compromisso resolvi correr o risco. O motorista dirigia mal e estava nervoso. Fui crivando-lhe de perguntas. Mais nervoso ele ficava. Enfim chegamos ao destino e até hoje não recebi a conta da corrida, fatura que costuma chegar imediatamente após o trajeto.

Fiquei preocupado. Contei para meu acompanhante no almoço que também achou a história muito estranha. Mais tarde, já noite, meu amigo ligou e me disse que dera muita sorte pois no trabalho dele colhera um relato igual e a passageira havia sido assaltada. Fui para as chamadas redes sociais e me pus a pesquisar. Numa delas encontrei o testemunho da senhora Fernanda Mac Dowell, na quinta feira dia 27 de junho. Seu relato:

- acabou de acontecer comigo o que alertaram aqui no Facebook. Fotografei o carro. Pedi um Uber no Centro da cidade, no Rio de Janeiro e gravei a placa e o modelo: Tucson LSR. Sorte que estava atenta. A caminho do meu Uber, antes encostou outro carro. Se dirigiu a mim e abriu a porta. Notei que a placa não conferia e nem o modelo do carro. Alguns segundos depois, já no carro que chamei, o motorista relatou-me ter conhecimento de casos semelhantes e testemunhos de passageiras que foram assaltadas em situações parecidas.

Em outro relato colhi testemunhos até de estupros acontecidos em Belo Horizonte. Na mesma semana deparei-me com uma notícia de estupro em Nova Deli, na Índia, praticado por um motorista do UBER. Aqui e ali encontro depoimentos de vítimas onde a característica principal é a interceptação das chamadas. A empresa UBER é a que mais cresce no mundo na área virtual. Seu valor de mercado já ultrapassa os 40 bilhões de dólares e vem recebendo aportes financeiros de um bilhão de dólares ao mês. Tanta tecnologia e o cliente fica isolado. Não há um canal para o passageiro se reportar ao outro lado do balcão.

Outros aplicativos crescem no mundo e o maior deles é o Didi Kuaidi. Desembarcam no Brasil este mês. Como não temos um órgão regulador é necessário que estejamos atentos. E cabe ao governo acordar para o assunto. Do Congresso Nacional nada podemos esperar a julgar pela regulação da neutralidade da rede quando a Câmara dos Deputados promulgou uma Lei, conhecida como Marco Civil da Internet, ludibriando a todos quando não fixou os parâmetros, claros, da neutralidade da rede. Ao contrário, facilitou a vida das Teles, permitindo que elas fixem ao seu gosto os limites de navegação na banda larga. Cedo ou tarde iremos pagar mais pela navegação. É aguardar para ver.

A evolução tecnológica está sob cerrado ataque. No caso do UBER trata-se de um caso para a polícia agir.